quarta-feira, 06 de janeiro de 2021



Por Janguiê Diniz – Controlador do Grupo Ser Educacional e presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo.

(Reprodução internet).

Esses dias, me peguei pensando sobre como este 2020 foi um ano imprevisível. Quem diria que seríamos pegos de surpresa por um vírus mortal e que levaria não apenas vidas, mas também nossa liberdade, nossa esperança e nossa saúde – física, mental e financeira. E, quando pensávamos que esses dias nebulosos, típicos de uma tempestade forte – porém passageira, estavam indo embora, já na reta final deste ano, tivemos uma nova rebordosa.

Ao mesmo tempo que ficamos na ânsia por uma vacina, uma cura, uma sombra de proteção, seja ela qual for, também entramos em profundas reflexões, sobretudo, aquelas mais óbvias, ditas dentro de frases clichês que estamos acostumados a ouvir desde que nos entendemos por gente. Uso como exemplo uma típica frase que diz: a vida é um sopro, então aproveite cada segundo como se fosse o último. Nunca ela fez tanto sentido. De fato, muitas pessoas, de maneira totalmente inesperada, acabaram vivendo seus últimos segundos.

Mas, o que me fez refletir, refletir mais um pouco e ainda assim continuar inquieto é observar o quanto ainda estamos vulneráveis, mesmo no período mais desenvolvido da humanidade. Nós vivemos na era digital; o progresso intelectual, robótico, científico nunca esteve em melhor fase. Andamos rumo ao desenvolvimento pleno, ao ápice da tecnologia. A escada da evolução cibernética tem andado apenas para cima; e aí, apesar de tudo, nos vimos travados diante de um ser microscópico, fruto mais simples da natureza – embora muitas teorias digam que não – e, aparentemente, indomável. Como pode destravarmos tantos assuntos complexos e não conseguirmos decifrar o enigma de um elemento natural?

Se formos analisar questões de impacto e de volume, embora seja avassalador, o coronavírus ainda passa longe dos números que envolveram outras catástrofes, a exemplo da Gripe Espanhola de 1918, provocada pelo vírus influenza. Ela durou cerca de dois anos e matou aproximadamente 50 milhões de pessoas. Trata-se de uma lâmina de vítimas fatais. Mas, a ideia aqui não é comparar números nem qual pandemia é mais grave, e sim refletir acerca da nossa vulnerabilidade mesmo diante de tantos avanços. Claro que, naquela época, não tínhamos os avanços medicinais que temos hoje e, talvez por isso, tivemos a falsa ilusão que estávamos e estaríamos protegidos.

A meu ver, a covid-19 veio para trazer duas grandes lições e que devemos refletir com inteireza: 1) Por mais garantias, avanços, descobrimentos, não estamos tão seguros quanto achávamos que estávamos. Esse vírus atual veio para mostrar e comprovar isso. A mesma quebra de fronteiras que serviu como fortalecimento da globalização também deixa claro um trinco enorme e agora visível. 2) A ideia de que o nosso amanhã está cada vez mais imprevisível. Para refrescar a memória, basta lembrar de todos os planos que foram feitos nesse mesmo período no ano passado. Quantos sonhos permearam milhares de mentes, quantos projetos estavam sendo rabiscados, quantas relações estavam se entrelaçando. 

A contagem regressiva sempre traz uma maré de possibilidades, de inúmeros fios de esperança, de projeções de um futuro tão circunstancial. Nós sempre tratamos o futuro com tanta garantia, com tantas certezas e, neste 2020, talvez essa tenha sido a maior validação: não temos garantias, temos o agora. Precisamos planejar, claro. Precisamos nos projetar, precisamos idealizar, isso faz parte da natureza humana; olhar para o além e se ver por meio de conquistas e evolução. Mas não podemos descartar o agora. 

Não podemos dar mais importância para o amanhã do que para o agora. O hoje é garantido, é nosso, é real e depende das nossas ações. Já o tempo seguinte não é tão nosso quanto pensávamos. Minha profunda solidariedade a todos que perderam seus parentes, amigos, ídolos, pessoas importantes. A dor é grande e profunda, mas a nossa corrente de amor e solidariedade tem uma força restauradora.

Que 2021 possa nos dar mais garantias e que possamos enxergar com mais carinho a importância do momento atual, afinal, o nosso ano só é novo se chegarmos no amanhã. 

>>FONTE: Via Assessoria de Comunicação e Imprensa / Willyberg Braga.